
0927 | Ferramentas locais, agentes com memória e uma vida digital mais simples
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Neste episódio passamos por ferramentas que levam a sério a privacidade — notas, recibos, equalizadores e ecrãs bloqueados no Mac — e por uma nova geração de IA que ganha memória: das transcrições locais do Chit aos agentes que vêem, falam e actuam. Falamos ainda de aplicações que devolvem o controlo do dia a dia, de listas partilhadas que lembram preços e de um mapa vivo dos makers.
Linha do tempo
- 00:00:04 Abertura
- 00:00:53 Privacidade provável, não prometida: ferramentas Mac locais
- 00:10:31 Dar memória e contexto aos agentes de IA
- 00:21:50 Voz sob medida: ler com os ouvidos
- 00:24:39 Listas partilhadas e pickups contados
- 00:30:39 Um mapa vivo da comunidade maker
- 00:32:55 Encerramento
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Este episódio é produzido pela Bri. O Bri usa tecnologia avançada de IA para transformar os feeds importantes para você em podcasts feitos para ouvir. Fale conosco em hi@bri.so.
Transcript
Sofia Almeida: Olá, bem-vindos ao briefing diário do Product Hunt. Eu sou a Sofia Almeida.
Rafael Costa: E eu sou o Rafael Costa. E hoje temos uma coisa curiosa que liga quase tudo o que vamos falar: privacidade. Mas não a privacidade das políticas de utilização, aquelas que ninguém lê — falamos de ferramentas que tentam provar, com factos concretos, que não falam com ninguém.
Sofia Almeida: Exatamente. Temos hoje quatro ferramentas para Mac construídas à volta do silêncio, depois três produtos que dão memória e contexto a agentes de IA, uma extensão de leitura em voz alta, duas apps móveis que contam o nosso dia, e fechamos com um mapa vivo da comunidade maker. Vamos começar pelas ferramentas do Mac, porque é aí que a ideia de "provar em vez de prometer" está mais clara.
Rafael Costa: Vamos falar então do Chit. O Chit é uma aplicação para Mac com 777 kilobytes — sim, kilobytes — que lê as transcrições que o Claude Code já escreve no disco, em ~/.claude/projects, e imprime o dia de trabalho como um recibo.
Sofia Almeida: Um recibo, literalmente. Agrupado por projeto, com os projetos mais ocupados primeiro, pronto a colar numa reunião de standup ou numa folha de horas. O criador conta a história que todos conhecemos: passas o dia no Claude Code, fazes mesmo muita coisa, e às seis da tarde não te lembras de nada. Standup amanhã de manhã. O Chit resolve exatamente esse buraco de memória.
Rafael Costa: E o detalhe importante é que imprime o que fizeste, não o que escreveste. O Claude Code nomeia a maioria das sessões ele próprio; onde não o fez, o Chit nomeia a linha pelos ficheiros que tocaste. Os teus prompts nunca aparecem em lado nenhum. E quando há sessões de agentes em worktrees, elas voltam a fundir-se no projeto pai em vez de aparecerem como estranhas.
Sofia Almeida: Funciona também por linha de comandos: chit --today, --date=, --from= --to=, --markdown. Podes canalizar a saída para o que comer a tua folha de horas. É menu bar apenas, sem ícone no Dock, e uma combinação de teclas mostra e esconde.
Rafael Costa: Agora a parte que o criador quis tornar concreta em vez de reconfortante. Ele escreveu literalmente: não há código de rede no binário. E não como política — como propriedade. Ele publica os comandos para qualquer pessoa verificar: correr nm -u no binário e procurar URLSession devolve zero, e otool -L e procurar CFNetwork também devolve zero.
Sofia Almeida: E é interessante que a comunidade reparou exatamente nisso. Um comentário dizia que o nm/otool é um bom toque — que a maioria das promessas de privacidade são só palavras, e publicar os comandos reais para qualquer pessoa verificar é um nível completamente diferente de confiança. Outro comentador disse que "no network code in the binary" é o detalhe que faz uma ferramenta destas ser instalada em vez de só guardar nos favoritos e esquecer.
Rafael Costa: Continuando na mesma linha: sem conta, sem chave de API, sem telemetria. As linhas mostram nomes de ficheiros, nunca caminhos — e a justificação é ótima: um caminho diz quem és e para quem trabalhas; audit.js não diz. E podes esconder projetos inteiros. Mas há um limite que o próprio criador admite com honestidade: esconder as linhas desse projeto não esconde uma frase que tu escreveste sobre esse trabalho dentro de outro projeto. Ele diz claramente que não o vende como se pudesse.
Sofia Almeida: Gosto dessa honestidade. Limitações práticas: macOS 13 ou superior, Apple Silicon e Intel, 777 KB. E ainda não está notarizada, portanto um download pelo browser vai ser sinalizado uma vez — o comando curl no site instala sem aviso, e o SHA-256 é público.
Sofia Almeida: Quanto às perguntas da comunidade que ficaram em aberto: alguém perguntou se quando duas sessões tocam o mesmo projeto no mesmo dia o Chit funde num recibo só ou imprime um por sessão — a resposta que temos das notas do criador é que o agrupamento é por projeto, com os worktrees dos agentes a dobrar para o projeto pai.
Rafael Costa: Seguindo na mesma família de ferramentas locais: Paragraph Notes. É uma app de notas Markdown para Mac, de um designer chamado João, de Lisboa. Editor de texto simples, sem distrações, com sintaxe Markdown, e a app nunca se liga à internet.
Sofia Almeida: As notas são guardadas localmente numa base de dados aberta e portátil — um único ficheiro JSON, fácil de copiar e guardar. Podes bloquear a base de dados com palavra-passe. E o modelo de negócio é transparente: grátis até vinte notas, e o Pro são 19,99 dólares numa única compra dentro da app, sem subscrição.
Rafael Costa: Um comentador elogiou exatamente isso — disse que o limite de vinte notas antes de uma compra única é uma forma justa de fazer as coisas, melhor do que uma subscrição para algo tão simples. Mas levantou a limitação óbvia: se não há sincronização nenhuma, o que acontece quando quero as mesmas notas em dois Macs? Aponto os dois para a mesma pasta no iCloud Drive manualmente, ou isso nem é suportado?
Rafael Costa: E essa é mesmo a pergunta que fica em aberto — a app é local por decisão, e a sincronização não existe.
Sofia Almeida: Passemos ao som. O SOUND ataca um problema diário que qualquer utilizador de Mac reconhece: o macOS tem um único volume e nenhum equalizador. Um podcast com o baixo demasiado pesado, um jogo áspero, um separador do browser duas vezes mais alto que tudo o resto — e a única alavanca que o sistema te dá é "baixar tudo".
Rafael Costa: O SOUND vive na menu bar e mostra cada app que está a tocar som, cada uma com o seu próprio equalizador de oito bandas — de 63 Hz a 8 kHz, mais ou menos 12 decibéis —, o seu próprio volume e o seu próprio dispositivo de saída. Ou seja: pinas uma chamada nas colunas enquanto a música continua nos auscultadores.
Sofia Almeida: Há um "System master" para tudo o que não tocaste, seis predefinições para começar — Flat, Reduce Bass, Bass Boost, Vocal, Podcast, Bright — e um único interruptor que devolve cada app ao áudio intocado. As predefinições personalizadas sincronizam entre Macs via iCloud.
Rafael Costa: Aqui há duas coisas que o criador, um tal Fekry, quis ser franco desde o início. Primeira: precisa do macOS 26. O SOUND é construído sobre a API moderna de process-tap do Core Audio e o sistema de design Liquid Glass. É isso que lhe permite funcionar sem drivers de áudio virtuais — sem extensão de kernel, sem dispositivo de saída falso, sem nada para desinstalar depois. O custo é que versões antigas do macOS não o conseguem correr.
Sofia Almeida: Segunda: pede permissão de áudio do sistema, uma vez — é a barreira do sistema operativo para ler o áudio de uma app para o poder equalizar. Nada é gravado, armazenado ou enviado. O processamento acontece localmente, em tempo real, no callback de áudio. Não há conta, não há servidor para onde enviar nada. É grátis, em dez línguas, na Mac App Store.
Rafael Costa: E a reação da comunidade confirmou o diagnóstico. Comentários como "o problema de uma app subitamente muito mais alta que tudo o resto é muito real", "poder controlar um separador do browser sem mudar tudo o resto é algo que eu queria no Mac há tempo", e vários a destacar a saída por app como a parte que mais os apanhou — música nos auscultadores, chamada nas colunas. Alguém disse que usaria sobretudo o equalizador por app para podcasts, porque há vozes com o baixo demasiado pesado.
Rafael Costa: E houve quem reconhecesse que exigir só macOS 26 é um requisito pesado, mas perceber porque é que se foi por aí.
Sofia Almeida: E a quarta ferramenta do Mac é talvez a mais literal de todas: o Kleanly. Vive no notch do MacBook. Um toque, e o teclado e o trackpad ficam bloqueados — para poderes limpar tudo enquanto o vídeo continua a tocar, porque o ecrã fica ligado.
Rafael Costa: E há um caso de uso que a comunidade agarrou imediatamente, e que na verdade apareceu no título do produto: à prova de toddlers. Os miúdos podem dar palmadas nas teclas durante um cartoon e nada é escrito. Um comentador disse honestamente que o caso dos miúdos o convenceu mais do que o da limpeza.
Sofia Almeida: Para desbloquear, dois toques no trackpad. Há uma sobreposição escura opcional para limpar o ecrã — e comentadores disseram que faria sentido, porque é mais fácil ver impressões digitais e poeira contra um ecrã escuro.
Sofia Almeida: O criador conta que o Kleanly foi lançado aqui há um ano como uma forma simples de bloquear o teclado durante a limpeza, e a versão 2 é uma grande reestruturação: o controlo no notch, atualizações dentro da app, poderes mudar a licença para um novo Mac sozinho, e um pequeno separador no topo do ecrã para Macs sem notch.
Rafael Costa: Os comentários foram consistentemente favoráveis ao desenho da coisa: "não tenta fazer dez coisas diferentes, resolve um problema irritante e não se mete no caminho", "o duplo toque é um gesto físico simples em vez de procurar menus". Mas há uma pergunta em aberto que ninguém respondeu nos materiais: o que acontece se a app crashar ou o Mac reiniciar enquanto está bloqueado? Fica bloqueado e preso, ou o reinício limpa sempre? Boa pergunta para quem instala.
Sofia Almeida: Se olharmos para as quatro juntas, o padrão é claro. Nenhuma delas vende privacidade com adjetivos. O Chit publica os comandos de verificação, o Paragraph Notes simplesmente não tem código de rede, o SOUND processa no callback local, o Kleanly nem sequer toca na tua vida fora do teclado. A aposta é: prova verificável, não política.
Rafael Costa: Mas isso levanta uma questão interessante. Se as ferramentas locais guardam tudo em segredo — o Chit sabe tudo o que fizeste com o Claude Code, o Paragraph Notes guarda as tuas notas, e agora temos apps que ouvem conversas o dia inteiro — a pergunta seguinte é: como se dá essa memória a um agente de IA sem a expor? E é exatamente aí que vamos.
Sofia Almeida: O primeiro chama-se Hemory — Hear mais Memory. A tese é simples e ambiciosa: não é transcrição de reuniões. O Hemory ouve continuamente no iPhone, no Android ou no Apple Watch que já tens, e transforma o que ouves em memória.
Rafael Costa: O fundador, Yingqi, explica a motivação: passa metade a dois terços do dia de trabalho em reuniões, e estava sempre a esquecer-se de carregar em gravar — ou deixava a gravar a correr e acabava com várias conversas fundidas numa transcrição gigante. Mesmo com resumos de reuniões, juntar o que se tinha discutido ao longo de dias diferentes era trabalho manual. Passaram nove meses a construir isto.
Sofia Almeida: Como funciona: começar a ouvir com um toque e deixar correr — até 24 horas com o plano Max. As conversas organizam-se sozinhas: o Hemory separa as conversas por atividade em tempo real, com rótulos de orador, e o dia divide-se em momentos — uma reunião das 10:30 às 12:00, um almoço, uma nota de voz a caminho de volta. Depois tudo assenta numa memória privada e pesquisável.
Rafael Costa: E a parte que realmente muda as coisas: via MCP, ligas o Hemory ao Claude, ao Codex, ao Cursor — a lista do site inclui Claude Code, Codex, Gemini, Cursor, VS Code, OpenClaw e mais clientes MCP padrão. O fundador descreve o momento em que isto lhe fez sentido: pedir ao Codex coisas como "o que de interessante ouviste ontem?
Rafael Costa: ", "escreve a minha meia-avaliação com base no que ouviste", "junta as nossas discussões de preços deste mês" — e vê-lo ligar conversas através do tempo e transformá-las em trabalho.
Sofia Almeida: O cofundador acrescenta uma perspetiva de equipa: já não escrevem nada, simplesmente falam, porque todos sabem que o Hemory está a ouvir. À noite transforma a conversa do dia no que deviam construir, enviam durante a noite, e de manhã a maioria das ideias brilhantes de ontem está morta ao contacto com a realidade — uma má ideia morre num dia em vez de num trimestre.
Rafael Costa: No que toca a privacidade, as alegações são concretas: as gravações não são guardadas na nuvem — transcritas e depois deitadas fora. O áudio em bruto fica apenas no dispositivo onde ouviu, nunca sincronizado entre dispositivos. E há uma opção de self-host que vem a caminho. Mas a comunidade fez as perguntas certas, e várias vezes: "como lidam com momentos em que alguém não quer ser gravado?" e "como lidam com momentos em que alguém não quer lembrar-se disso?
Rafael Costa: " — essas questões ficaram em aberto nos materiais.
Sofia Almeida: Um comentador também perguntou sobre o calor da bateria e do telemóvel com 24 horas de escuta, e se a gravação é interrompida quando outras apps usam o microfone — ainda sem respostas nos textos. No modelo de preços: uma versão de trial gratuita com 10 horas pontuais, depois Starter a 10 dólares por mês com 20 horas, Pro a 20 dólares com 60 horas, e Max a 50 dólares por mês com escuta ilimitada, teto de 24 horas por dia. E um detalhe que merece destaque: o VAD — voice-activity detection.
Sofia Almeida: Só a fala detetada conta para a quota; silêncio, pausas e ruído de fundo nunca tocam a tua quota.
Rafael Costa: Do produto que ouve passamos a um que escreve por ti — mas de uma forma que tenta escapar ao AI slop. O GoodSocials é um gestor de redes sociais com IA para o LinkedIn. E o fundador, o Pasha, conta a própria história: escrevia manualmente atualizações semanais sobre o produto que estava a construir, e cada post levava cerca de uma hora. Não queria usar IA para melhorar a escrita porque detestava o AI slop.
Sofia Almeida: Mas percebeu que a IA é boa a resumir informação. Então pediu-lhe para resumir o que tinha feito na semana lendo os pull requests do GitHub, as reuniões do Google Calendar, comportamento de utilizadores no PostHog e no Stripe, logs e bugs do Vercel — e ainda uma pesquisa profunda sobre o que aconteceu no campo do software de agendamento de reuniões. Usou o Claude Code para combinar tudo. Ficou satisfeito com o conteúdo, não com o tom de voz. Depois de dez iterações tornou-se algo de que gostava.
Rafael Costa: E a máquina que descreve é concreta: uma rotina de quinta-feira à noite no Claude Code corre um sistema de skills ligado a oito MCPs diferentes, faz o trabalho e agenda um post via Buffer. Tem tempo até sexta de manhã para verificar e corrigir se quiser. Posta perto de diariamente — o site fala de cinco posts por semana, e a promessa é posts em todos os dias úteis.
Sofia Almeida: E aqui está o modelo de conteúdo, que é restrito a três tipos: pesquisa de mercado, deep dives, e os teus próprios números. O site mostra exemplos que ilustram bem o tom — nada de "ninguém fala sobre isto", nada de cringe. Em vez disso: "os reagendamentos do TimeTuna caíram de 18% em maio para 7% em agosto. Uma mudança entretanto: o convite mostra primeiro o fuso horário do convidado. n = 9.412 reuniões. Sazonalidade pode explicar parte, portanto um holdout corre em outubro.
Sofia Almeida: " Repara na honestidade estatística — "correlação por agora, a história causal ainda está a ser verificada", "amostra pequena, 11 releases".
Rafael Costa: E há uma mecânica muito boa: as correções agarram. Corriges uma vez, e cada post seguinte segue. Deixas uma nota num cartão, o cartão é reescrito, e a nota torna-se uma regra na tua voz. As regras acumulam-se semana a semana — semana 1: uma regra; semana 12: cinco regras. Há também filtros sobre o que nunca expor: dados pessoais do fundador, de pessoas com quem se reuniu, dos clientes, e nunca números absolutos — tendências e variações percentuais.
Sofia Almeida: Preços: 100 dólares por mês para um perfil de LinkedIn, com sete posts em 90 segundos depois de colares o teu website, e sete dias grátis. Um plano de agência para até 10 clientes a 1.000 dólares por mês, onde cada cliente autoriza o próprio perfil — nunca guardas uma password de um cliente. E um plano de consultoria a 2.000 dólares onde o Pasha monta tudo contigo. O site faz a comparação direta: um gestor de redes sociais humano custa 3.
Sofia Almeida: 000 dólares por mês, e quando estás de férias para de publicar — o GoodSocials publica o que tens em fila.
Rafael Costa: Mas a pergunta mais afiada veio da comunidade, e é a que importa: "'apenas conteúdo autêntico' é a parte difícil de provar, não o agendamento. Fazemos posts para o PH e LinkedIn e metade da batalha é não soar como todos os outros posts de IA — estrutura genérica de pró/contra, ponto e vírgula por todo o lado. Como apanha o passo do kanban isso antes de sair, ou ainda está à cargo do humano que aprova reparar e reescrever?
Rafael Costa: " E essa é genuinamente a questão em aberto — o workflow de aprovação num quadro kanban existe, as regras acumuladas existem, mas se o filtro apanha o tom genérico antes de ti, isso é uma alegação, não um resultado verificado.
Sofia Almeida: Outro comentador perguntou como se mede se os posts agendados superam os rascunhos manuais — também sem resposta nos materiais. E o fundador tem um histórico anterior citado: o TimeTuna, um serviço de agendamento, que foi número um no Product Hunt em dezembro de 2025 — mas isso é contexto do fundador, não prova de qualidade deste produto.
Rafael Costa: E do agente que escreve o teu LinkedIn passamos ao agente que vê o teu ecrã. O Eclatira é um motor de vídeo conversacional para developers. A tese do cofundador Moad: construir vídeo conversacional ao vivo é um pesadelo de canalização — tens de ligar voz, vídeo, visão, APIs e vários sistemas antes de poderes focar na experiência do produto.
Sofia Almeida: O Eclatira junta tudo num motor. O teu agente fala naturalmente com interações voz-a-voz nativas, vê em tempo real através da câmara ou de um stream de ecrã partilhado, e toma ações através das tuas APIs, servidores MCP e mais de 3.000 integrações.
Sofia Almeida: Os números técnicos do site: vídeo processado até 30 frames por segundo dentro do mesmo orçamento de latência abaixo de 800 ms que a voz — e áudio e vídeo correm pela mesma sessão bidirecional, portanto o agente pode falar sobre o que está a ver na mesma respiração.
Rafael Costa: Há também um builder onde descreves o trabalho em linguagem natural, refinas prompt, voz e ferramentas, ou constróis pela API. A própria equipa deu exemplos concretos: uma developer da Eclatira descreve um agente que revê o código dela e guia-a no debugging e nos testes, apontando edge cases que falhou, apenas por ela narrar o comportamento e partilhar o ecrã. E outro que organiza as suas tarefas por prioridade e tempo estimado de implementação.
Sofia Almeida: As reações da comunidade foram interessantes. Um comentador imaginou empresas de SaaS a usar estes assistentes para demonstrar o produto aos utilizadores, onboardá-los e ajudar com dúvidas. Outro disse que a funcionalidade de partilha de ecrã tornaria o suporte técnico muito mais interativo e escalável.
Sofia Almeida: Mas os comentários mais exigentes vieram de quem constrói nestas águas: alguém que constrói agentes apenas de voz para chamadas telefónicas disse que a latência já é a restrição dura antes de acrescentares visão, e perguntou se o vídeo corre numa faixa separada para não bloquear a troca de turnos da voz, ou se acrescentar visão empurra o tempo de resposta para cima em geral.
Sofia Almeida: Também perguntaram sobre privacidade com streams de câmara e ecrã ao vivo — se há forma de restringir o agente a uma parte específica do ecrã —, sobre limites nas ações que o agente pode tomar, e sobre self-host e residência de dados para feeds de vídeo sensíveis.
Rafael Costa: E essas perguntas ficaram em aberto. A resposta oficial mais próxima que existe nos materiais é do género "os agentes da Eclatira fornecem uma solução à medida de cada necessidade", o que, sendo generoso, não é uma resposta técnica. Portanto: capacidade concreta e bem especificada — voz-a-voz nativa, visão a 30 fps sob 800 ms, execução via APIs e MCP — mas as questões de controlo, privacidade de streams e latência com visão misturada continuam por responder.
Sofia Almeida: Há aliás uma linha que liga o Hemory, o GoodSocials e o Eclatira, e acho que vale pronunciá-la: em todos os três, a memória deixou de ser transcrições soltas. É contexto que gera trabalho — o Hemory ouviu e escreve a tua meia-avaliação, o GoodSocials leu os teus repositórios e escreve o teu post, o Eclatira viu o teu ecrã e age. A memória é insumo, não arquivo.
Rafael Costa: E há um produto que vive exatamente nessa fronteira do áudio, mas no sentido oposto — em vez de ouvir e lembrar, lê para ti. O Lisen. É uma extensão Chrome gratuita que lê em voz alta qualquer artigo com as vozes Cartesia que já pagas.
Sofia Almeida: A premissa é direta: se já tens um plano Cartesia, o Lisen não acrescenta subscrição nenhuma em cima. Colas a tua chave de API da Cartesia, escolhes qualquer voz na tua biblioteca — incluindo vozes que clonaste ou desenhaste lá — e a extensão lê artigos, posts de blog, newsletters, documentação, Substack, Medium, threads longas: qualquer coisa com corpo de texto na página.
Rafael Costa: E o detalhe de uso: clicas no ícone num artigo e aparece um pequeno player. Enquanto lê, a passagem atual é tingida e a palavra falada é marcada, portanto nunca perdes o sítio — que é, segundo vários comentários, a funcionalidade que mais usariam, porque perder o sítio enquanto ouves é irritante. Há dois modos: streaming começa a falar mal primes play, e geração antecipada produz o artigo inteiro primeiro, mostrando a duração exata e uma barra que podes percorrer.
Rafael Costa: Cada número no player é medido do áudio — nada é estimado.
Sofia Almeida: Também podes guardar qualquer artigo como WAV, e os timings das palavras ficam guardados no ficheiro, portanto o acompanhar-a-leitura funciona quando abres outra vez. E na privacidade: não há servidor do Lisen. A chave e as definições ficam no Chrome no teu dispositivo. O texto da página só vai para a Cartesia quando primes play, e apenas de páginas onde abriste o player. Sem analytics, sem telemetria.
Rafael Costa: Mas há uma nota honesta que a comunidade apanhou imediatamente. Um comentador disse que o enquadramento o confundiu um segundo: "grátis" refere-se à extensão, não às vozes — continuas a pagar à Cartesia pelas chamadas de síntese. E perguntou se há fallback para uma voz nativa do browser para quem não tem Cartesia configurada, ou se é um requisito absoluto. Pelos materiais, é preciso conta e chave da Cartesia — é um requisito, e o custo de geração é teu.
Sofia Almeida: Outras perguntas em aberto dos comentários: como lida com páginas com muita coisa à volta do artigo propriamente dito, como soa em artigos técnicos, e — esta é a mais interessante — de alguém que trabalha em IA de voz para idosos: os controles de leitura em voz alta costumam estar escondidos e limitar a velocidade lenta a 0,75x, o que ainda é rápido demais para muita gente de 75 anos. Perguntaram até onde vai a velocidade de fala do Lisen e se foi testado com essa faixa etária.
Sofia Almeida: Sem resposta nos materiais, mas é uma pergunta que merecia resposta.
Rafael Costa: Do áudio que nos lê, passemos às apps no telemóvel que nos medem e organizam o dia. E aqui há duas que atacaram o mesmo problema por ângulos opostos: o fim do dia sem registo do que se fez.
Sofia Almeida: A primeira é o Psst. É uma lista de compras partilhada — ou melhor, uma app de listas partilhadas — construída de trás para a frente para colaboração. O criador conta a origem: era uma lista de compras partilhada que era na verdade uma screenshot de uma app de notas, enviada para lá e para cá, sempre uma versão atrás.
Sofia Almeida: E todas as apps de tarefas que experimentou foram construídas para uma pessoa, com partilha acrescentada depois — o momento em que duas pessoas tocavam a mesma lista, desabava ou transformava-se num plano de equipa pago.
Rafael Costa: Então o Psst é construído ao contrário: uma lista é um convite. Adicionas as pessoas a quem interessa e elas veem cada mudança ao vivo. Tudo isso está no nível gratuito — funções para atribuir responsáveis, comentários em qualquer item, feed de atividade, presença. E o criador é explícito: não é uma demo castrada com a colaboração atrás de paywall, porque a colaboração é o ponto inteiro da app.
Rafael Costa: Funciona totalmente offline e sincroniza quando voltas — o que importa mais do que parece quando estás no supermercado sem sinal.
Sofia Almeida: E o toque distintivo: a app lembra-se do que pagaste. Fotografas um recibo e as linhas voltam estruturadas, cada uma mostrando um recorte da linha do recibo de onde veio, o que aquele item custou da última vez, e onde. O criador diz que a maior parte do trabalho foi em não afirmar quando não tem certeza: dois preços em unidades diferentes nunca são comparados, e a comparação é por preço unitário, não pelo total da linha — comprar 2kg em vez de 1kg não é um aumento de preço.
Rafael Costa: A comunidade reagiu bem a esses detalhes — o recibo com recorte foi elogiado várias vezes, e alguém disse que a comparação por preço unitário faz muito mais sentido do que comparar totais. Mas a pergunta técnica que ficou no ar é boa: o matching do histórico de preços faz-se no nome do item do texto do recibo, ou foi preciso construir algum matching difuso para quando o mesmo produto aparece com palavras diferentes entre lojas? Isso está em aberto.
Sofia Almeida: Nos preços: plano gratuito com o essencial de partilha, Pro a 35,99 dólares por ano — que dá uns 2,99 por mês — com lembretes, itens recorrentes, vista de calendário e listas ilimitadas. Há um plano Family a 49,99 por ano para até seis pessoas, e um plano Team a 79 por utilizador por ano com SSO e SCIM. Cada conta nova começa com sete dias de Pro grátis, sem cartão.
Sofia Almeida: E um comentador perguntou sobre uma oferta de 0,99 dólares por três meses que apareceu na discussão — se converte melhor do que um trial normal, ou se um pequeno passo pago filtra quem nunca pagaria. Curioso, sem resposta.
Rafael Costa: A segunda app móvel vem do lado oposto do problema: em vez de te lembrar o que fizeste, mede o que não fizeste de propósito. O Fewer é um launcher Android construído à volta de pickups, não de tempo de ecrã. O criador chama-se Ali, e a motivação é clara: experimentou as ferramentas habituais de screen time e nunca mudaram nada. O número que realmente importava era quantas vezes por dia apanhava o telemóvel — e quantas dessas vezes eram por nada: desbloquear, olhar, voltar a bloquear. A maioria.
Sofia Almeida: Então o Fewer é um ecrã inicial que mede exatamente isso e faz muito pouco mais — de propósito. O contador está no ecrã inicial: "34 pickups hoje, 14 sem motivo". E como o criador diz, ninguém quer que chegue a 90. Uma linha no topo diz para que serve o dia: à segunda-feira a app faz-te algumas perguntas e escolhes cinco coisas para a semana; cada manhã uma delas é a tarefa do dia.
Rafael Costa: As apps que devoram tempo — Instagram, YouTube e semelhantes — são "time sinks". Abrir uma a partir do ecrã inicial mostra uma pequena pausa que pergunta quantos minutos ficas. Nunca bloqueia — quando voltas, mostra o que disseste contra o que aconteceu. E a austeridade do ecrã é total: sem widgets, sem ícones, sem fundo de ecrã, sem pontos de notificação. Seis ferramentas, uma linha de pesquisa, os atalhos que escolheste.
Sofia Almeida: Privacidade: nada sai do telemóvel. Sem servidor, sem conta, sem analytics, sem anúncios. O acesso de uso é opcional e a app funciona sem ele. É grátis; uma compra única — o Fewer Pro — desbloqueia o planeamento semanal, blocos de dia, orçamentos e o resumo de sete dias, depois de um trial completo de 14 dias. Nove línguas. Só Android — tem de ser, porque é um launcher.
Rafael Costa: E a pergunta que a comunidade fez toca no coração técnico do produto: o contador de pickups vem puramente de eventos de ecrã ligado ao nível do sistema operativo, ou precisa de permissões de acessibilidade para distinguir um pickup real de tu só ires ver as horas no ecrã de bloqueio? Também perguntaram sobre iOS — o criador já antecipou que um launcher não é possível lá, e alguém perguntou curiosamente o que a API de screen time deixaria fazer. Ambas em aberto.
Sofia Almeida: E o paralelismo entre as duas apps é instrutivo: ambas apostaram em medir a métrica certa em vez de mostrar gráficos. O Psst aposta que o preço lembrado muda a tua compra; o Fewer aposta que o número de pickups muda o teu comportamento melhor do que o tempo de ecrã nunca mudou. Nenhuma tem servidor. É a mesma filosofia das ferramentas do Mac do início do episódio, só que no bolso.
Rafael Costa: E fechamos com o produto que organiza não o teu dia, mas a própria comunidade que constrói todas estas ferramentas: o MakerMap. É um mapa vivo de makers e do que estão a construir — mais de 4.000 makers e produtos para explorar pelo mundo.
Sofia Almeida: O criador, um tal Martijn, diz que passou os últimos dez dias basicamente obcecado em construir isto. Começou com um pensamento simples: as pessoas que constroem o futuro estão em todo o lado, a lançar produtos, a partilhar ideias, a conhecer gente — mas nunca houve uma forma de ver esse mundo. Então decidiu mapeá-lo.
Rafael Costa: Podes pesquisar coisas como "fundadores de IA em Lisboa", "ferramentas para Twitter", "gym bros em Lisboa", "designers a criar apps iOS". Cada maker tem um perfil vivo que mostra o que está a construir, onde está, os seus posts, atividade, crescimento. Podes acrescentar-te ao mapa em makermap.lol/introduce ou perguntar ao bot no X.
Sofia Almeida: E o detalhe que o criador diz ser o seu favorito até agora não é uma funcionalidade: já há pessoas a encontrar-se através do MakerMap e a marcar encontros pessoais. Ele diz: "é exatamente o que eu esperava que acontecesse". Um comentador elogiou um toque de design específico: pesquisou o próprio handle, recebeu "ainda não estás no mapa, apresenta-te no X" — e notou que isso transforma um resultado vazio num convite em vez de um beco sem saída.
Sofia Almeida: E reparou, pela risada, em barcos verdadeiros a navegar pelas tiles do oceano — e perguntou se é só decoração ou ligado a patrocinadores.
Rafael Costa: Mas a crítica mais séria é a que ataca todos os diretórios: um comentador escreveu que todos os diretórios de makers que viu ficam desatualizados, porque as pessoas preenchem o perfil uma vez e nunca mais o tocam. Como é que um perfil se mantém atual? A resposta implícita está nos "perfis vivos" com atividade e posts — mas se isso chega para combater a poeira, é uma questão que o tempo terá de responder.
Rafael Costa: Outras perguntas em aberto: o que conta para os pontos que aparecem ao lado de cada maker — é só engajamento no X ou também algo na plataforma? —, e se haverá planos para abrir a makers que não estão no X.
Sofia Almeida: E com isto chegamos ao fim, e é giro notar como o círculo fecha: começámos com ferramentas que makers construíram primeiro para si — o Chit era literalmente uma ferramenta que o criador construiu para si mesmo antes de a lançar — e fechámos com o mapa desses mesmos makers, a encontrarem-se pessoalmente.
Rafael Costa: Recapitulando o que fica em aberto: o Chit não está notarizado e o Paragraph Notes ainda não sabe sincronizar; o Kleanly não respondeu ao cenário de crash durante um bloqueio; o Hemory não disse como lida com quem não quer ser gravado; o kanban do GoodSocials tem de provar que apanha o tom genérico; o Eclatira deve respostas sobre limites de ação e residência de dados; o Lisen tem de esclarecer a divisão entre a extensão grátis e o custo Cartesia; o Psst tem de explicar o matching entre lojas e
Rafael Costa: o Fewer o que conta como pickup real; e o MakerMap tem de mostrar que um diretório não tem de ficar velho.
Sofia Almeida: Tudo dito, e lembrando a regra de casa de sempre: as descrições dos criadores são alegações, os comentários da comunidade são experiências atribuídas, e a verificação fica ao cuidado de quem instala.
Rafael Costa: Obrigado por nos ouvirem, eu sou o Rafael Costa.
Sofia Almeida: E eu sou a Sofia Almeida. Até amanhã, com o próximo briefing.