
0912 | Ferramentas da semana: agentes, voz e criatividade
Show notes
Neste episódio passamos pelas novidades em ferramentas: design de merch no navegador, leitores de Markdown, grade de streams, agentes de código em paralelo, agentes de voz, privacidade antes de colar dados em LLMs, e-signature em formulários e marketing automatizado por agentes. Tudo explicado de forma simples e na ordem em que faz sentido ouvir.
Linha do tempo
- 00:00:04 Abertura
- 00:00:55 Ferramentas criativas no navegador
- 00:06:28 Agentes de código e orquestração
- 00:13:59 Voz e produtividade com IA
- 00:17:13 Privacidade antes de colar em LLMs
- 00:19:38 Agentes no marketing e no trabalho
- 00:25:00 Encerramento
Links relacionados
- Design Studio by Monday Merch
- GLYPH Immersive
- Sliick
- Moji
- LiveGrid
- Cadenya
- Jackalope
- Cline Desktop App
- Accordio
- easyspecs.ai
- Anysite.io
- Devin Voice
- Loqua
- Raycast 2.0
- TIM PG
- chat-recall
- Wisry
- Formesign
- sizeless
- ChatHop
- Spaces
Este episódio é produzido pela Bri. O Bri usa tecnologia avançada de IA para transformar os feeds importantes para você em podcasts feitos para ouvir. Fale conosco em hi@bri.so.
Transcript
Sofia Almeida: Olá, você está ouvindo mais um episódio do nosso podcast, eu sou Sofia Almeida.
Rafael Costa: E eu sou Rafael Costa. E hoje a gente vai conversar sobre uma leva de lançamentos que, olhando em conjunto, contam uma história bem interessante: uma onda de ferramentas simples, gratuitas, que rodam direto no navegador, e depois uma camada cada vez mais pesada de agentes de inteligência artificial que estão entrando no código, na voz e até no marketing. Começa leve e termina com agentes vendendo coisa, literalmente.
Sofia Almeida: Isso. E a gente vai tentar fazer o que sempre tenta fazer aqui: não virar uma lista de produtos, mas entender o que cada um resolve, pra quem, e o que ainda está em aberto. Então vamos começar pelo lado mais leve dessa onda, que são as ferramentas criativas no navegador.
Rafael Costa: Perfeito. A primeira é o Design Studio, da Monday Merch. A ideia é você abrir um canvas no navegador e desenhar merchandising em mais de mil produtos, com visualização em 2D e 3D. E o detalhe que me parece mais esperto é que as regras de impressão já vêm embutidas. Ou seja, a pessoa que desenha uma camiseta ou uma caneca não precisa saber qual é a margem mínima, a área de impressão, aquelas limitações técnicas que normalmente você só descobre quando o pedido dá errado.
Sofia Almeida: E é gratuito. Isso importa muito, porque o design de merch sempre viveu nesse limbo: ou você usava um editor genérico e torcia pra arte sair bem na produção, ou dependia de um mockup feito por outra pessoa. Ter as restrições de produção dentro da ferramenta muda a natureza do erro. Você não erra depois, você erra na hora, e a ferramenta te mostra.
Rafael Costa: E é um funil esperto pra empresa também, né? Porque quem desenha ali provavelmente vai comprar aquilo. A ferramenta gratuita é também uma vitrine. Mas ok, sigo com a segunda, que é ainda mais minimalista: GLYPH Immersive. É uma ferramenta gratuita no navegador para criar lettering em grades modulares. Você ajusta a grade e desenha letras com aquele estilo de pixel arredondado, bem característico. E sem cadastro, você entra e usa.
Sofia Almeida: Esse é um exemplo quase puro do padrão da semana. Uma ferramenta que faz uma coisa só, bem delimitada. Tipografia modular não é algo que você usa todo dia, mas quando precisa, as alternativas geralmente são softwares pesados de design. Aqui é abrir o navegador, ajustar a grade, desenhar as letras, exportar. Zero atrito.
Sofia Almeida: Acho válido perguntar até onde isso vai, porque ferramentas de nicho assim vivem ou morrem pela profundidade que oferecem, e a gente não sabe pelos dados disponíveis se dá pra fazer algo além do básico ali. Mas como porta de entrada, é exatamente o espírito da onda.
Rafael Costa: E aí tem uma terceira do mesmo pacote criativo, o Sliick, que resolve um problema bem específico de quem cria conteúdo: mockups 3D de dispositivos. Você pega uma captura de tela ou um vídeo e coloca dentro de um celular ou notebook em 3D, tudo no navegador, gratuito, sem conta, sem marca d'água. E o ponto de privacidade é importante: nada é enviado para lugar nenhum, a mídia fica no seu dispositivo.
Sofia Almeida: Esse detalhe de ficar no dispositivo é mais raro do que parece. Muitos geradores de mockup online pedem upload, e aí você está mandando uma captura de tela que pode conter informação sensível. O Sliick faz o processamento local. Para quem faz vídeo de produto, demo de app, aquele frame bonito de tela dentro de aparelho, isso corta uma etapa que antes era abrir um software 3D ou pagar um serviço.
Rafael Costa: Agora, uma ferramenta que a gente pode discutir um pouco mais, porque tem mais camadas: o Moji. É um leitor e editor de Markdown, gratuito e open-source, com licença MIT. A proposta é abrir um arquivo .md como se você abrisse um PDF, ou seja, renderizado, bonito, pronto pra ler, e com preview ao vivo enquanto edita. Tem suporte a Mermaid, aquela notação de diagramas, e exporta para PDF, HTML e PNG.
Sofia Almeida: O Moji é interessante porque ataca um problema pequeno mas real: Markdown virou linguagem universal, está em todo lugar, READMEs, documentação, notas, mas a experiência de ler um arquivo .md cru é horrível, são asteriscos e cerquilhas por todo lado. A metáfora de abrir como PDF é boa. E o suporte a Mermaid conta bastante, porque diagramas em texto viraram coisa comum em documentação técnica. Open-source com MIT também significa que qualquer um pode auditar ou incorporar.
Sofia Almeida: A pergunta aberta é o mercado, né? Editores de Markdown existem aos montes. O diferencial aqui é essa experiência de leitor primeiro, editor depois.
Rafael Costa: E fechando esse primeiro bloco, tem um que à primeira vista parece fora do grupo, mas na real é a mesma filosofia: o LiveGrid. É uma ferramenta para assistir múltiplas lives lado a lado, de Twitch, YouTube e Kick, tudo numa grade só, dentro do navegador. E foi feito por um fundador solo, o Lucas.
Sofia Almeida: Parece fora do grupo porque não é design, mas é a mesma coisa: uma tarefa que hoje você faz de forma desajeitada, abrindo várias abas e alternando entre elas, virando uma experiência única no navegador, gratuita. E para quem acompanha esportes, eventos, várias streamers ao mesmo tempo, isso muda a experiência. O detalhe do fundador solo é curioso, porque mostra que essas ferramentas estão nascendo pequenas, muitas vezes de uma pessoa resolvendo um problema próprio.
Sofia Almeida: E o risco também é esse: manutenção de integrações com três plataformas diferentes é trabalho constante para uma pessoa só.
Rafael Costa: Exato. Então o resumo do bloco é esse padrão: leve, gratuito, sem conta na maioria, fazendo uma coisa bem feita. E a gente encerra o bloco com a nota que conecta pro próximo tema: a mesma onda de simplicidade e de ferramentas focadas está chegando com força no trabalho com código. E aí o assunto muda de escala completamente.
Sofia Almeida: Muda mesmo, porque agora a gente não está falando de desenhar uma camiseta, está falando de orquestrar agentes que escrevem software. E o tema forte da semana é exatamente essa camada de infraestrutura em volta dos agentes de código. Vamos começar pelo Cadenya, que talvez seja o mais conceitual do grupo.
Rafael Costa: O Cadenya oferece um loop agêntico hospedado. Ou seja, você não precisa montar a sua própria infraestrutura para rodar um agente que trabalha em ciclos, ele cuida de coisas como compactação de contexto, que é o problema clássico de agentes que estouram a janela de contexto em tarefas longas, e também de aprovações, webhooks e widgets. E é model-agnostic: funciona via OpenRouter ou qualquer API compatível com OpenAI, então você escolhe o modelo por trás.
Sofia Almeida: Isso é importante porque separa duas camadas que estavam misturadas. Até agora, quando você usava um agente de código, o runtime, o ciclo de trabalho, e o modelo eram praticamente um produto só. O Cadenya diz: o ciclo é nosso, o modelo é seu. Isso significa que a competição futura não é só entre modelos, mas entre runtimes de agentes, entre as plataformas que gerenciam o loop.
Sofia Almeida: E a parte de aprovações é interessante para empresas, porque um agente autônomo que pede aprovação humana em pontos definidos é muito mais fácil de vender internamente do que um que faz tudo sozinho.
Rafael Costa: A limitação óbvia é que essas são as descrições do próprio produto. Um loop agêntico hospedado soa ótimo, mas quão robusto é em tarefas longas de verdade? A compactação de contexto é um problema difícil, e a gente não tem evidência de resultados verificados ali. É o tipo de coisa que a comunidade vai julgar pelo uso.
Sofia Almeida: Justo. E do outro extremo, do abstrato pro concreto, tem o Jackalope, que é open-source e roda no desktop. A proposta é um espaço de trabalho onde você roda Codex, Claude Code, Grok e OpenCode em paralelo, cada um em worktrees Git separadas, com revisão no final.
Rafael Costa: Essa ideia dos worktrees é bem engenhosa na prática. Git permite ter vários diretórios de trabalho do mesmo repositório, então cada agente trabalha numa cópia isolada do código, sem pisar no pé do outro, e no final você revisa e escolhe. É o cenário que muita gente já montava manualmente com scripts e pastas, transformado em produto. E open-source, de novo, é o padrão dessa leva.
Sofia Almeida: E isso levanta uma pergunta real: quando você roda quatro agentes em paralelo no mesmo problema, quem faz o trabalho de revisão? Porque revisar quatro implementações diferentes é trabalhoso. O Jackalope oferece a interface de revisão, mas a carga cognitiva continua sendo sua. É o trade-off clássico: mais paralelismo, mais filtragem depois.
Rafael Costa: E dentro dessa mesma discussão de múltiplos agentes, tem o Cline Desktop, que é open-source e focado em modelos de pesos abertos. Sessões paralelas de agentes, importação de tarefas do Claude Code e do Codex, e o número que chama atenção: onze milhões de usuários.
Sofia Almeida: Vamos ser cuidadosos com esse número, porque é uma métrica divulgada pelo próprio produto, não um dado verificado. Mas mesmo com ressalva, indica escala grande. E a parte de importar tarefas de outras ferramentas é reveladora: significa que o Cline assume que você já usa outros agentes de código e quer ser o lugar onde você gerencia o trabalho. É a disputa pelo posto de hub.
Sofia Almeida: Cada um desses produtos está tentando ser a camada onde o trabalho acontece, e a interoperabilidade, aceitar tarefas de fora, é uma arma nessa disputa.
Rafael Costa: O foco em modelos abertos também o diferencia, né? Jackalope e Cline Desktop dois desktops open-source, mas o Cline aposta na população que roda pesos abertos, seja por custo, seja por privacidade, seja por controle. Isso é uma fronteira real de segmentação no mercado.
Sofia Almeida: Agora, um que foge um pouco do código mas vive no mesmo ecossistema: o Accordio. É um conector gratuito via MCP, o protocolo que padroniza como modelos se conectam a ferramentas, e dá ao Claude trinta ferramentas de administração: controle de tempo, contratos, faturas, pagamentos. A parte paga, a 39 dólares por mês, é o draft, a geração desses documentos.
Rafael Costa: Isso é a mesma lógica do Jackalope, mas aplicada ao escritório em vez do repositório: dar mãos ao modelo. O Claude sozinho conversa; com o Accordio, ele registra horas, emite fatura, mexe em contrato. E o modelo de negócio é transparente: a conexão é grátis, você paga pelo que o agente produz. A pergunta, como sempre nesses casos, é a qualidade desses drafts em contextos reais, contratos são documentos onde erro custa caro.
Sofia Almeida: E aí tem um que talvez seja o mais provocador do grupo, o easyspecs.ai. A proposta: ele documenta codebases e transforma isso em especificações confiáveis, com oráculos e rubricas, de forma que a revisão de especificação substitua a revisão de código.
Rafael Costa: Essa frase, spec review no lugar de code review, é uma aposta grande. A lógica seria: se o agente escreve o código, revisar linha por linha perde o sentido, porque o volume é grande demais. O que você revisa é a intenção, a especificação, os critérios de aceite. O oráculo e a rubrica são, na prática, a definição formal do que significa "certo", para que a checagem possa ser objetiva.
Sofia Almeida: E é uma ideia que divide opiniões. Há quem diga que código ruim nasce de spec ruim e que o gargalo sempre foi a especificação. E há quem diga que os bugs sutis, os de concorrência, os de borda, só aparecem lendo código. A tese do easyspecs é que com agentes gerando código a partir de specs verificáveis, o ponto de controle humano sobe de nível.
Sofia Almeida: É cedo pra saber se funciona na prática, mas é uma das ideias com maior implicação de longo prazo dessa leva, porque ataca uma prática central da engenharia de software.
Rafael Costa: E pra fechar esse bloco, a peça de infraestrutura de dados: o Anysite.io. É uma camada de dados B2B para agentes de IA, acessível via MCP ou REST, com mais de 650 fontes e mais de 3.500 endpoints, e com saída compacta, amigável ao contexto.
Sofia Almeida: Esse detalhe da saída compacta é mais importante do que parece. Agentes têm janela de contexto finita, e APIs tradicionais devolvem JSON gigantesco cheio de campo inútil. Uma API desenhada para agentes devolve o mínimo necessário. É a mesma lógica do Cadenya com a compactação, tudo nessa leva gira em torno de esticar o contexto. E a lição geral do bloco, ligando com o que a gente falou: a expectativa é de mais concorrência entre runtimes de agentes e de revisão baseada em specs.
Sofia Almeida: Mas tem um desenrolar disso que a gente ainda não mencionou: os agentes também estão ganhando voz.
Rafael Costa: É, e aí a gente entra no terceiro tema. Começando pelo mais chamativo: o Devin Voice. A ideia é você falar uma tarefa, e o Devin planeja, programa e entrega. Usa o GPT-Live para a parte de voz e o novo modelo SWE-2 da Cognition por baixo.
Sofia Almeida: E vale notar que o anúncio do Devin Voice foi feito em espanhol, o que indica uma aposta em mercados de língua espanhola, o que é um detalhe interessante de estratégia. Mas o essencial é o fluxo: falar a tarefa, e o agente cuida do resto. Isso remove o teclado da equação. Até agora, mesmo usando agentes, você digitava instruções. Se a fala entra, o agente de código vira algo mais parecido com delegar pra uma pessoa.
Rafael Costa: Com as ressalvas de sempre, né? Planejar, programar e entregar sozinho é a promessa, e a distância entre promessa e realidade em agentes autônomos ainda é o grande ponto de interrogação. A gente trata isso como descrição do fabricante, não como resultado comprovado.
Sofia Almeida: Claro. E do lado dos assistentes de voz dedicados, tem a Loqua, que tem uma origem diferente: foi feita por pesquisadores de fala. E eles têm um modelo próprio, omni, que compartilha contexto de voz e tela ao mesmo tempo. As funções incluem ditado, o Capture to Ask, que é capturar algo da tela e perguntar sobre isso, e ações em aplicativos.
Rafael Costa: O compartilhamento de voz e tela juntos é o diferencial. A maioria dos assistentes de voz é cega: eles escutam mas não veem. Um modelo que entende os dois ao mesmo tempo consegue, por exemplo, você falar "explica isso aqui" enquanto aponta pra algo na tela. E vindo de pesquisadores de fala, há uma aposta de que a qualidade da compreensão da fala, sotaque, pausa, ambiguidade, seja o diferencial, não a quantidade de funções.
Sofia Almeida: E o terceiro desse grupo é o que provavelmente mais gente vai usar no dia a dia: o Raycast 2.0. Eles reconstruíram o launcher com ações de IA entre aplicativos, automações, projetos, ditado e busca de arquivos. Só que tem um requisito duro: exige macOS Tahoe.
Rafael Costa: Essa exigência da versão mais recente do sistema é uma decisão deliberada: eles construíram em cima de APIs novas do sistema. O custo é excluir usuários de versões antigas. Mas o que importa na tese é o launcher virando superfície de IA entre apps. O Raycast sempre foi o lugar onde você dispara ações; agora ele quer ser o lugar onde a IA age nos seus aplicativos, com ditado incluído. Repare que o ditado aparece em tudo: no Devin, na Loqua, no Raycast.
Rafael Costa: A voz está virando interface padrão para trabalho e para agentes.
Sofia Almeida: Exatamente, e isso abre uma questão que a gente não pode ignorar: se você está falando com agentes, colando coisas neles, compartilhando tela, a pergunta vira: o que exatamente está indo para o modelo? E é aí que a conversa naturalmente pende para o tema seguinte, que é privacidade antes de colar em LLMs.
Rafael Costa: E esse bloco é pequeno mas muito concreto. A primeira ferramenta é o TIM PG, para Windows. É offline, sem nenhuma IA envolvida, e faz o seguinte: quando você copia algo e vai colar num LLM, ele mascara os dados pessoais que estão na área de transferência antes da colagem, e depois restaura esses dados na resposta do modelo.
Sofia Almeida: Esse me parece um dos produtos mais bem pensados da semana em termos de escopo. Ele não tenta proteger tudo, tenta proteger o momento exato de risco: a colagem. E o truque da restauração é o que o torna utilizável, porque se você mascara e não restaura, a resposta chega cheia de placeholders e você tem que ficar remendando. Ele fecha o ciclo. E ser offline e sem IA é coerente: uma ferramenta de privacidade que envia seus dados pra algum lugar seria contraditória.
Rafael Costa: A limitação é que ele cobre a área de transferência, não o resto. Se você digita o dado direto, ou anexa arquivo, o TIM PG não está no caminho. É uma defesa para um vetor específico, e o usuário precisa entender isso.
Sofia Almeida: E a segunda ferramenta do bloco olha para o lado de depois da conversa: o chat-recall. Ele cria um histórico único e pesquisável das suas conversas do Claude Code, Codex, Cursor e OpenCode. E faz uma varredura procurando chaves vazadas, aquelas API keys que a gente sem querer cola numa conversa. Tudo roda localmente, e é gratuito.
Rafael Costa: O problema que ele resolve é real e crescente: suas conversas com agentes de código estão espalhadas em quatro ou cinco ferramentas diferentes, cada uma com seu histórico, e dentro delas há coisas que você não queria ter compartilhado. Ter um índice unificado, local, é ao mesmo tempo conveniência e auditoria. A busca por chaves vazadas é quase um recurso de segurança disfarçado de produtividade.
Sofia Almeida: E juntos, os dois contam a mesma história: os usuários estão querendo controle sobre o que vai para os modelos. Não é rejeição à tecnologia, é higiene. Você usa o agente, mas sabe o que entrou nele e o que ficou gravado. E com essa base de confiança estabelecida, a gente pode olhar pro resto do episódio, que mostra agentes saindo do código e indo para o negócio de verdade.
Rafael Costa: E o exemplo mais agressivo dessa migração é o Wisry. Ele usa agentes que vasculham as bibliotecas de anúncios da Meta e do TikTok, identificam os anúncios que estão funcionando, clonam os vencedores adaptados à sua marca, e lançam campanhas no Meta e no Google otimizadas para ROAS, o retorno sobre o investimento em anúncios.
Sofia Almeida: Essa é uma ferramenta que provavelmente gera reação dupla. De um lado, para uma pequena empresa sem equipe de mídia, é acesso a uma prática que antes exigia experiência: estudar a biblioteca de anúncios, que é pública, entender padrões de criativo que convertem, produzir variações, testar. O agente automatiza esse ciclo. De outro, há uma zona ética em "clonar o vencedor": onde está a linha entre se inspirar num padrão e copiar um criativo?
Sofia Almeida: O Wisry diz clonar com a sua marca, o que sugere adaptação, mas é o tipo de promessa que merece ceticismo até ver a qualidade do que sai.
Rafael Costa: E também há a questão de que os vencedores de hoje não são garantia de nada: o que funciona na biblioteca de anúncios de outra marca, com outro produto e outro público, pode não funcionar pra você. A ferramenta automatiza a imitação, não a estratégia. Mas como aposta de produto, é direta: agentes fazendo mídia paga de ponta a ponta.
Sofia Almeida: Do marketing para o jurídico-administrativo, o Formesign resolve algo bem específico: adiciona assinatura eletrônica legalmente vinculante ao Google Forms. Quando o formulário é enviado, a pessoa assina, e o PDF assinado chega por email, uma cópia de auditoria vai para o Google Drive, e tudo sincroniza com o Google Sheets.
Rafael Costa: Esse é o tipo de ferramenta que existe porque um fluxo enorme do mundo real roda em Google Forms: contratos simples, autorizações, termos de aceite. O Forms nunca teve assinatura, então as pessoas improvisavam com formulários separados ou serviços externos. Colocar a assinatura dentro do fluxo, com trilha de auditoria no Drive, elimina o improviso. É menos glamoroso que clonar anúncios, mas talvez mais útil amanhã de manhã.
Sofia Almeida: E do papel para a obra, literalmente: o sizeless. Você filma, com o smartphone, uma vala aberta, e ele transforma esse vídeo num modelo 3D, em planos CAD/BIM e nas quantidades para faturamento. E o backing chama atenção: Y Combinator e ETH Zurich.
Rafael Costa: Esse é dos que mais me impressionam tecnicamente. Reconstrução 3D a partir de vídeo de celular já existe, mas o sizeless vai além: ele interpreta o modelo em termos de engenharia, gera documentação CAD/BIM e calcula volumes e medidas para cobrança. Isso ataca uma dor real de obra, onde a medição de valas escavadas é feita de forma manual e sujeita a disputa. Se um vídeo de celular vira a base do faturamento, muda a dinâmica entre empreiteira e cliente.
Sofia Almeida: E o respaldo da YC e do ETH Zurich indica que investidores sérios acreditam na viabilidade, mas isso é sinal de confiança, não prova de resultado. As perguntas abertas são as de precisão: quanto o modelo 3D derivado de vídeo desvia da realidade, e essa margem de erro é aceitável para base de cobrança? Esses são os testes que o mercado vai fazer.
Rafael Costa: E os dois últimos desse bloco são sobre o dia a dia de quem usa IA. O ChatHop resolve um incômodo imediato: mover conversas entre assistentes. Você copia o chat como texto ou Markdown e leva pra outra ferramenta, com o contexto incluído. Vinte usos grátis por mês.
Sofia Almeida: O ChatHop é a resposta prática a um mundo onde ninguém usa um assistente só. Você tem uma conversa longa no Claude e quer continuar no outro, e hoje isso significa reexplicar tudo. O formato de exportação em texto e Markdown é simples, quase manual, mas o valor está no contexto incluído, que é o que realmente custa a reconstruir. A limitação de vinte usos por mês no plano grátis mostra que ele aposta em frequência de uso.
Rafael Costa: E por fim, o Spaces, que amplia isso pra equipe: um aplicativo de desktop onde cada projeto tem um espaço compartilhado, com agentes de IA, chats e arquivos em comum. E o preço é agressivo: 10,99 dólares por ano por pessoa.
Sofia Almeida: Esse preço é o dado mais falante. Onze dólares por ano é menos de um dólar por mês, o que sinaliza uma estratégia de volume e de viralização dentro de equipes, em vez de margem por assento. E a tese é a mesma do resto do episódio levada ao time: não é só você com seus agentes, é o projeto inteiro com agentes compartilhados, o contexto não fica preso na cabeça ou na conversa de uma pessoa.
Sofia Almeida: A pergunta aberta, como sempre com workspaces colaborativos, é o efeito de rede: precisa da equipe inteira adotando pra valer a pena, e aí o preço baixo é justamente a forma de baixar essa barreira.
Rafael Costa: E se a gente der um passo atrás e olhar o episódio inteiro, tem um arco claro: começou com ferramentas gratuitas, leves, sem cadastro, resolvendo uma tarefa criativa cada. Depois veio a infraestrutura dos agentes de código, os runtimes, os worktrees, as specs. Depois a voz como interface. Depois a higiene de privacidade, porque aí você já confia bastante coisa aos modelos. E terminou com agentes faturando obras, assinando contratos e rodando campanhas de anúncio.
Sofia Almeida: E os pontos de interrogação também viajaram pelo arco todo: será que a revisão de specs substitui mesmo a de código? Será que o Devin entrega o que promete quando se fala a tarefa? Que precisão tem o sizeless na medição? O que esses produtos mostram é a direção, não o destino confirmado. Vale acompanhar os próximos meses pra ver quais dessas promessas sobrevivem ao uso real.
Rafael Costa: Por hoje é isso. Espero que você, ouvinte, tenha saído com uma visão do conjunto, e não só com uma lista de nomes. Um abraço da Sofia, e até o próximo episódio.
Sofia Almeida: Um abraço, e até a próxima!